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Na Holanda eu estava, como o senhor certamente soube pelo Capitao Theiler, muito doente, tao doente que nao pensava mais em salvacao. Porem o destino quis que eu ainda vivesse, e felizmente me recuperei no mar.
Em 11 de outubro de 1819 partimos de Texel, na Holanda, com 450 pessoas no navio da Viagem Feliz. Tivemos sempre bom vento e certamente teriamos chegado ao Rio de Janeiro em 7 semanas, se no Mar das Canarias nao tivessem quebrado todos os 3 mastros.
Porem em 14 dias tudo estava quase restaurado e em 23 de dezembro chegamos ao Rio de Janeiro. Tempestade nunca tivemos, e no mar e metade tao perigoso quanto muitos alardeiam.
Do comboio de Lucerna morreram no mar nao mais que 6 pessoas, porem apenas criancas, a saber: 3 de Josef Huober, 1 de X. Wermelinger, e 2 de Haslimann, embora estivessemos muito apertados. Nada ha a temer no mar exceto, num tal transporte de pessoas, que ha muito parasita — todos, sem excecao, ficam cheios de piolhos e pulgas.
Assim que chegamos ao Rio, na manha seguinte fomos levados em pequenas fragatas por 8 horas ate Nova Friburgo, onde tivemos que subir toda a montanha. Quando chegamos, encontramos casas ja construidas para moradia provisoria ate outras serem erguidas, porem muito simples.
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Nao ha outra cama senao 4 estacas fincadas no chao com varas colocadas por cima, onde ha um pouco de palha de milho turco. Nisto pode-se descansar, e ainda vai demorar muito ate termos colchoes de pena.
Nossa localizacao e muito montanhosa e coberta de floresta. Nao ha planicie maior que 2 tiros de espingarda. O solo e muito bom, porem para plantar ainda da muito trabalho. Ha apenas 8 dias recebemos nossa terra: para 17 pessoas, 359 Jucharten — portanto cerca de 20 Jucharten por cabeca, o bastante.
Ha aqui belos bois e vacas, porem as vacas quase nao dao leite. Contudo, se fossem bem tratadas como na Suica, seriam igualmente boas. Os cavalos sao muito ruins; tudo e transportado com mulas. Nao faz muito calor aqui porque estamos em altitude elevada. Porem no Rio faz muito calor.
Por causa da ma alimentacao e dos precos exorbitantes dos viveres, muitos morreram. A Colonia tem ainda cerca de 1600 pessoas. Cada pessoa recebe por dia 20 xelins da nossa moeda suica; criancas abaixo de 6 anos nada. O comercio aqui e muito bom; muitos da Colonia ja ganharam muito — com 100 Luises de ouro em dinheiro vivo, alguem pode ganhar 1200 Luises por ano. Porem quanto tempo isso durara, nao sei.
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Assim que a terra estiver plantada, tudo ficara barato. Os viveres sao tao exorbitantemente caros apenas porque o transporte e tao longe. Toda farinha branca e vinho vem pelo mar.
A Colonia e administrada por um Diretor, a saber o Senhor de Miranda, Grao-Chanceler do Reino e 2o Ministro e Inspetor da Colonia Suica. Este e um senhor muito bondoso; todos sao ouvidos por ele e ele ajuda onde pode.
Nao ha luxo aqui; os camponeses andam quase todos descalcos, tem cabanas muito ruins e camas ruins. Nao trabalham nada; os negros fazem tudo. Estes sao usados como gado, e negocia-se por eles como entre nos pelo gado. Um negro custa 20 a 70 Luises de ouro.
Dos lucernenses ninguem comercia exceto um certo Josef Lutolf de Knutwil, e estou convencido de que este homem chegara a um belo patrimonio em poucos anos.
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Eu teria merecido pelo menos tornar-me feliz, porque nenhuma pessoa nesta viagem sofreu o que eu sofri. Pelo menos 8 semanas tive que ficar deitado no chao do navio enquanto ainda estava doente, e isso ao vento e a chuva.
Se ainda houvesse um pagao ou turco na Europa, Gachet o teria aceito sob a mascara de um suico e trazido para ca.
Em suma, Gachet tratou muito mal a Colonia, e nunca recebemos o que foi prometido, especialmente nao o sustento no mar. Tambem seria bom se os governos da Suica lhe tirassem seu consulado e enviassem outro homem honrado em seu lugar.

